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Biblos entrevista a Teolinda Gersão no último número
“Depois de 40 anos de vida literária verifico com regozijo que os meus livros continuam actuais, e não envelhecem comigo”

1. Quase a completar 80 anos de vida e, em 2021, 40 anos de carreira literária, sabemos que já percorreu muitos países a apresentar a sua obra e criatividade. Já alguma vez tinha estado com os seus livros na Galiza? Qual é a sua visão da Galiza, da sua história tão próxima da nossa, da sua cultura?
R. É com muito prazer que venho à Galiza num evento literário. Na verdade, depois de publicar há cerca de quatro décadas, estou traduzida em 20 países, mas nunca estive em alguns deles. O meu primeiro livro traduzido em Espanha foi o romance passado em Moçambique, onde vivi algum tempo na então Lourenço Marques (hoje Maputo). Saiu há vários anos em Barcelona, na editora El Cobre. Estive em Barcelona no lançamento, que se repetiu também em Madrid, fui muito bem recebida nas duas cidades e a crítica foi muito boa. Infelizmente, a editora, que era muito pequena, faliu pouco depois, e foi a “morte” do livro.
Estive também noutra altura num evento literário em San Sebastian, e sairam boas críticas (segundo me disseram!) num jornal em língua basca, que não pude ler por desconhecimento do idioma.
É esta a primeira vez que venho à Galiza, num evento literário. No entanto foi pela Galiza que começou a minha primeira viagem a um país estrangeiro, quando tinha 11 anos. Foram inesquecíveis, essas férias de Verão, em que percorri de carro, com meus pais e meus tios, o norte de Espanha, da Galiza a San Sabastian, regressando depois a Portugal através de Burgos, Toledo, e entrando pela fronteira de Vilar Formoso.
2. Se pensasse numa linha temática comum, num jeito de anseio social/histórico e/ou da mundividência humana, que perpassa todas as suas obras, qual seria?
R. Essa é uma pergunta difícil de responder, porque não tenho apenas uma linha temática. Creio que poderia apontar várias: a crítica social (e política, porque tudo na vida é político, incluindo as histórias de amor, que são também sempre uma relação de poder, queiramos ou não); o papel da mulher no mundo de hoje, e as mudanças que esse papel tem felizmente registado, embora ainda haja muito caminho a fazer; a desigualdade entre ricos e pobres, poderosos e pessoas comuns; a exclusão, a injustiça, a ganância e a opressão dos fortes contra os fracos. E também, por exemplo, o paradoxo doloroso da solidão do indivíduo, num mundo cada vez mais globalizado, onde as possibilidades de comunicação nunca foram tão grandes.
3.Acaba de relançar numa 5ª edição revista o seu livro publicado pela primeira vez em 1982: “Paisagem com mulher e mar ao fundo”, e que foi por nós escolhido para servir de mote a esta sua visita à Galiza. Porquê o relançamento desta sua primeira obra? Crê que o seu principal tema faz falta às gerações de hoje, as que não viveram os anos que precederam a revolução e nem o pós-25 de abril?
R. Depois de 40 anos de vida literária, verifico com regozijo que os meus livros continuam actuais, e não envelhecem comigo. Todos eles estão no mercado, as edições sucedem-se e o número dos meus leitores é cada vez maior. Isso é-me grato, porque escrevemos obviamente para ser lidos. O meu primeiro romance, O Silêncio, de 1981, vai na 6ª edição e está traduzido em alemão, holandês e checo.
Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo, retrato de Portugal durante a ditadura de Salazar, continua a ser actual e urgente, porque o mundo está cheio de ditaduras, em todos os continentes. E também em Portugal é útil que as gerações mais novas, que já nasceram depois do 25 de Abril, e julgam a liberdade um dado adquirido, conheçam o percurso e as dificuldades das gerações anteriores. Também me é grato verificar a adesão que o livro está a ter entre as gerações jovens.
3. Olhando hoje para trás, que livro gostou mais de escrever? Qual aquele em que se sentiu mais próxima da escritora que toda a sua vida desejou ser?
R. Agustina Bessa Luís dizia que lhe faziam sempre essa pergunta, mas ela não sabia responder, porque todos eram seus “filhos”, e não fazia escolhas. Sou tentada a assinar por baixo desta afirmação...
Verifico que os meus livros são todos diferentes entre si, porque cada um escolheu o modo, ou a forma, em que queria ser contado. Esse é, a meu ver, o papel do escritor: obedecer ao livro e segui-lo, até onde ele o levar. Não é fácil, porque cada livro é único, o processo da escrita nunca é inteiramente consciente nem voluntário, e não há rede. Cada livro é sempre, de algum modo, o primeiro.
5. A Teolinda tem vários livros de contos publicados. A sua preferência recai sobre o género do conto devido ao seu gosto pela “construção de textos que fazem da brevidade e concisão uma arte de contar” (como escreviam sobre si recentemente no “Jornal de Letras”) ou não tem qualquer preferência e são processos criativos que a levam a um registo ou a outro?
R.- A resposta está de algum modo já dada: é o tema e as suas exigências ou especificidades que decidem tudo. À partida, não sei exactamente o que pretendo, só vou descobrindo no processo da escrita. E não aprendo com a experiência adquirida, recuso ter um “formato” que obedeça ao horizonte de expectativa dos leitores. Trabalho sem rede, de um modo inteiramente livre. É sempre um jogo de ganhar ou perder, em que arrisco tudo.
Para quem tenha curiosidade, deixo o endereço do meu site que, apesar de infelizmente não estar actualizado, traz muita informação: www. teolindagersão.wordpress.com


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